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segunda-feira, 12 de abril de 2010



A história e a lenda de
Nossa Senhora da Penha de Vitória,
no Espírito Santo.







Num belo dia de maio do ano de 1535,


em terras goitacás no meio da mata, onde se podia ouvir o grito dos papagaios,


e o farfalhar das folhas das árvores gigantescas, um ruído estranho ecoou pelos ares.


Era um tiro de canhão, talvez o primeiro a ser ouvido em plagas capixabas.


A caravela "Glória" acabava de fundear na enseada da futura Vila Velha,


trazendo o donatário Vasco Fernandes Coutinho,


fidalgo português que havia deixado sua abastada


Quinta no Alenquer para tomar posse da capitania,


à qual deu o nome de Espírito Santo.
A esperança que o dominava ao desembarcar nas praias do Novo Mundo


foi aos poucos se apagando devido às lutas entre colonos e naturais da terra


e Vasco Coutinho mandou vir do Reino alguns padres a fim de pacificá-los.


Entre os missionários que ali chegaram durante o governo do inditoso donatário,


estava o Frei Pedro Palácios, franciscano espanhol,


que trazia em sua bagagem um belíssimo painel de Nossa Senhora,


o mesmo que ainda existe no convento da Penha de Vitória.


Na azáfama do desembarque,


não notaram os companheiros o desaparecimento do santo frade


e somente após dois dias acharam-no numa gruta ao pé da montanha,


onde havia exposto o painel da Virgem,


convidando os fiéis à prece e à meditação.
Certo dia os devotos não encontraram Frei Pedro e nem o painel.


Pelo latido do cãozinho que sempre o acompanhava,


descobriram-no na escarpa do morro que domina a bela baía de Vitória.


Contou então que o painel havia desaparecido e ele estava a procurá-lo.


Após ingentes esforços, um grupo de pessoas conseguiu atingir o cume do monte e ali,


entre duas palmeiras, encontraram a pintura.


Religiosamente foi a tela reconduzida à gruta,


mas diante do ocorrido,


Frei Pedro iniciou a construção da Igreja dedicada a São Francisco,


na chapada, junto ao cume da montanha e para lá levou o painel de Maria.
A imagem de São Francisco lá ficou,


mas o quadro da Virgem novamente desapareceu


sendo encontrado ainda uma vez no píncaro,


entre as duas palmeiras.


Resolveu então o frade construir uma ermida no cume de penhasco,


e ele mesmo, velho e alquebrado,


carregou os primeiros materiais até o lugar da capela.


Realizado o seu grande sonho,


a igreja foi solenemente inaugurada a 1º de maio de 1570,


e, enquanto se elevavam os foguetes e as manifestações de alegria


dos que ali se encontravam,


subiu ao céu a alma de Frei Pedro Palácios


ao som dos sinos da ermida da Penha.
Após a morte de Frei Palácios,


a ermida ficou a cargo de alguns devotos e amigos, que a conservaram.


Esta situação perdurou até 1591,


quando as autoridades de Vila Velha e de Vitória


decidiram entregar a Capela da Penha aos Frades Franciscanos.


Desde então, os filhos de São Francisco aumentaram a capela,


e a transformaram no célebre Santuário.


Em fins de 1651


teria sido lançada a pedra fundamental do Convento de Nossa Senhora da Penha.


O Conventinho teve sua construção rematada em 1660 necessitando,


a partir de então, de constantes melhorias e reparos.
A Festa da Penha, com romarias e afluência de devotos de todo o Brasil,


acontece na primeira segunda-feira após a Páscoa.


Um grande incentivador da festa foi Frei João Nepomuceno Valadares,


natural de Vitória, que destacou-se como restaurador do Santuário do Convento,


realizando obras de grande vulto nos anos de 1853 a 1862.


Faleceu em 1865


e foi enterrado numa parede interna do Convento de São Francisco de Vitória,


bem em frente à porta da sacristia.




Fonte:
Nilza Botelho Megale,
"Invocações da Virgem Maria no Brasil"

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